GDF quer dialogar com estudantes das ocupações

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Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Fórum será criado para discutir demandas dos alunos que participaram e lideraram as ocupações.

Donald Rumsfeld, ex-secretário de defesa americano, explicou, mais de uma vez, que a fraqueza é provocativa. Rumsfeld estava certo. Para o político, o exemplo deixado no Vietnã, por exemplo, se mostrou um símbolo da fraqueza americana e um “convite para agressões futuras”.

O ensinamento se aplica à situação atual do DF. O GDF decidiu dialogar com as lideranças das ocupações das escolas. Há três elementos políticos locais em jogo na decisão de se dialogar com estudantes que ocuparam os centros de ensino. O primeiro, a população, está contra a forma de protesto dos alunos: todos sabem que adolescente nenhum tem pretensão maior que a constante egolatria. O segundo, os representantes de classe, que são grupos de pressão fortes, nunca estarão satisfeitos e sabem bem que Rollemberg é maleável. O último, os estudantes, estão divididos e não possuem representante político de força no DF. Rollemberg teria tudo para sair muito bem dessa. No entanto, preferiu ceder ao diálogo com grupos ilegítimos, o que custará pontos com a população em geral e com os alunos que não concordaram com as ocupações.

O GDF criará um fórum de discussão para ouvir as demandas dos alunos arruaceiros. Para isso, escalou Marcos Dantas, secretário das Cidades, e Márcia de Alencar Araújo, secretária de Estado da Segurança Pública e da Paz Social, aquela psicóloga que disse, em entrevista ao El País: “Sentar na cadeira de secretária de Segurança de um Estado também é enfrentar uma violência institucional pela condição de ser mulher”. Se é com fraqueza e apaziguamento que Rollemberg pensa em resolver os problemas locais, cedo ou tarde dará de cara com a realidade.

O Politburo não acredita, nem por um minuto, que Rollemberg esteja procurando um diálogo real, com o objetivo de entender e discutir as demandas dos alunos. Rollemberg não atenderá uma só demanda, já que seu plano plurianual está em pleno andamento e outras forças políticas pesam bem mais em seu plano orçamentário. Estudantes arruaceiros estão, provavelmente, em último lugar na lista de grupos de pressão a serem atendidos. Dessa forma, se o governador não pretende atender a nenhuma demanda dos estudantes e dos grupos de pressão que os lideram, qual o objetivo do diálogo? Ele não conseguirá o apoio daqueles com quem ele finge discutir soluções e perderá, com certeza, o apoio daqueles que são contra as ocupações: a maior parte da população.

Alguém deve estar com muita saudade do Senado.

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