O roubo da nossa história

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Nota do site:

Trata-se de um texto publicado diretamente na linha do tempo do Facebook do autor. É um texto pequeno, cujo tamanho contrasta com sua importância. O Politburo agradece a possibilidade de publicá-lo.


Texto de Felipe Melo. Saiba mais: https://felipeoamelo.wordpress.com/



O que se fez com a memória histórica dos brasileiros é um dos maiores crimes que se pode cometer contra um povo: roubar-lhe a própria história.

Desde pequenos, somos ensinados a desprezar Portugal. Primeiro, aprendemos que os lusitanos vieram para cá por pura sorte (ao menos para eles, pois, para nós, foi apenas azar). Depois, essa versão é desmentida: eles teriam vindo movidos apenas por um mesquinho interesse econômico, e dilapidaram as riquezas naturais até não mais poder. Esta versão se consolida quando saímos do ensino primário e passamos para o secundário: foram mandados para o Brasil a ralé da ralé portuguesa – ladrões, estupradores, prostitutas, assassinos, aventureiros de toda sorte e, incluídos nessa conta, claro, missionários católicos, cuja única missão era a de destruir as culturas nativas. O título de um livro do cientista político Francisco Weffort resume bem esse espírito: “Espada, Cobiça e Fé”.

Aprendemos que os portugueses exterminaram populações indígenas inteiras, rapinaram as riquezas vegetais e minerais, impuseram um sistema econômico desumano que, a um só tempo, exauria a terra cultivada e os escravos que nela trabalhavam, e cometeram toda espécie de crime bárbaro. Um romantismo rousseauniano sempre nos fez ver os índios e os negros como meras vítimas de um holocausto colonial, o português como verdugo dos mais brutais na história da colonização das Américas, e a civilização católica como a encarnação da barbárie. Aí finda o conhecimento histórico do papel português na construção do Brasil que quase a totalidade dos brasileiros possui.

Se nós, brasileiros, apenas desconhecêssemos a nossa história, a solução seria simples. Mas é pior do que isso: nós pensamos que essa mistura de mentiras, difamações e propaganda anti-portuguesa é, realmente, a nossa história. Se não recuperarmos a nossa história, se não formos capazes de enxergar em nós a raízes que ainda carregamos da portugalidade – e que continuaremos a carregar, não importa com que mentiras se tente arrancá-las –, qualquer discurso sobre os destinos do Brasil será apenas um palavrório vão.

josebonifacio-817

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