Está na hora de tomar o que é nosso!

Share


 

Duvidamos muito que qualquer militar, nesse momento, tenha, na mais maluca das hipóteses, um plano arquitetado para “salvar o Brasil”. Não só por falta de brio mas, também, pela falta de interesse da caserna: falta pouco para 2018. Em breve, o Brasil poderá escolher seu novo representante. Não que isso tenha adiantado muito em 2014, quando a crise já destruía o país, seus pequenos negócios e o poder de compra da população.

Michel Temer, nosso presidento, tem conseguido o inimaginável: assumir a chefia do país no lugar da mais impopular presidente dos últimos anos e, mesmo não almejando qualquer possibilidade de manutenção de seu poder, ainda por cima, ceder às pressões de grupos políticos que não representam sua base de apoio. Quando, sob fortes protestos e ocupações da esquerda, Temer resolveu recriar o Ministério da Cultura, ali estava decretado o fim de seu governo, que mal começara. Mais uma vez, como sempre lembramos aqui, Donald Rumsfeld estava certo: a fraqueza é provocativa. O que era para ser um governo Itamar 2.0, está virando um governo Dilma 2.0. Mas alguém esperou algo diferente? O homem foi vice na presidência mais atrapalhada da história do país. Em um gesto estranho, recriou o Ministério da Cultura. Agora, depois que seu Ministro resolveu fazer acusações contra membros de seu governo, entregou a pasta a Roberto Freire. Temer não deve se lembrar da população que gritava “a nossa bandeira jamais será vermelha” pois, se lembrasse, talvez tivesse pensado duas vezes antes de entregar as políticas de cultura do país a um homem que não só foi socialista a vida inteira, mas que comanda um partido socialista e, segundo relato de funcionário soviético, teria recebido dinheiro diretamente da KGB para sua campanha presidencial, em 1989.

michel-temer-1

Não muito longe do Palácio do Planalto, onde Eliseu Padilha, velho conhecido, é Ministro-chefe da Casa Civil, temos a casa de Rodrigo Maia e Renan Calheiros. A casa é deles, sim. Rodrigo Maia, Presidente da Câmara e membro do Democratas, após toda a controvérsia envolvendo seu nome à anistia ao caixa 2, resolveu, hoje, dia 12/12, apertar a mão de Guilherme Boulos, líder do MTST. Em seguida, entregou ao militante a Medalha do Mérito Legislativo. Amigos leitores, Guilherme Boulos agora divide com Vanilson João Pereira, falecido cabo da Polícia Militar de Goiás, que morreu quando protegia o candidato a prefeito da cidade de Itumbiara, José Gomes da Rocha, a mesma honraria. O nome do agitador talvez não tenha sido indicado por Maia, mas certamente o presidente não fez muita força para vetá-lo ou, pelo menos, para não cumprimentar o arruaceiro.  Manteve a indicação sem protestos e apertou sua mão. Rodrigo Maia é o mesmo que prometeu ao Brasil uma CPI da UNE e não entregou.

22493466439_cd1857dde7_k

Saindo da Câmara e atravessando a rua rumo ao Ministério das Relações Exteriores, é possível ver um Itamaraty sob o comando de José Serra, que acaba com a fala mansa com ditadores como  Maduro, certo? Certo? Bom, bastou Fidel Castro morrer para que todo o espírito POLOP de Serra se manifesta-se. Diante do amor contido de Serra ao ex-ditador de Cuba, Temer poderia enviar um funcionário de segundo ou terceiro escalão do MRE para representar o Brasil no funeral do guerrilheiro, apenas para garantir uma política de boa vizinhança mínima. Mas não. A mesma população que tirou Dilma do poder aos berros de que não queriam mais socialismo, teve que ver Serra e Roberto Freire, ambos ministros, indo ao enterro de um homem que escravizou o povo cubano.

 

serra

serra

 

 

A história já deu a resposta ao bom-mocismo brasileiro. Alguns historiadores, como Sérgio Campregher, chamam a atenção para um memorando do então presidente Jânio Quadros, de 22 de Agosto de 1961, três dias após a condecoração de Ernesto Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul, que justificava a comenda entregue ao revolucionário. Segundo o site Farol Blumenau, os objetivos da homenagem ao assassino argentino eram: a) a necessidade de Cuba manter-se na família continental, b) a necessidade de evitar o aparecimento do problema religioso, com a violência contra a Igreja Católica. De início, o plano funcionou. Mas ninguém nega que Cuba continuou a desrespeitar a liberdade religiosa, a liberdade da Igreja no país e a fuzilar dissidentes. Por fim, Cuba foi para o lado soviético. Ficou a lição: não adianta negociar com terroristas. Guevara divide as honras da comenda brasileira com Assad e Ceausescu. O Brasil é muito bom em homenagear malucos. A tradição continua.

janio-3

Mas ainda não é o suficiente. Se o executivo está completamente desconectado da vontade do povo, o legislativo vive em um mundo à parte. Entregar uma medalha a Guilherme Boulos é apenas a ponta do iceberg. A última conquista do legislativo foi a inimizade com o Ministério Público. O Procurador da República, Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, mostrou ser contra o novo projeto anticorrupção da Câmara dos Deputados, uma modificação do original, aprovado na madrugada do dia 30/11. O procurador afirmou: “A Câmara sinalizou o começou do fim da Lava Jato”. Dallagnol criticou ainda mais a medida.”Como se não fosse suficiente foi aprovada a lei da intimidação contra o Ministério Público e o Poder Judiciário sob o maligno disfarce de crime de abuso de autoridade. Abusos devem sim ser punidos. Contudo, sob esse disfarce de crimes de abuso há verdadeiros atentados contra independência do exercício legítimo da atividade ministerial e judicial. A lei da intimidação avançada no Congresso faz do exercício da função do Ministério Público e do Judiciário uma atividade de altíssimo risco pessoal”.

Enquanto os procuradores gritavam e mostravam um crime sendo cometido na Câmara, Renan Calheiros se esforçava para acabar com a Lava Jato com um pedido de urgência para a votação do pacote “anticorrupção” no Senado (rejeitado).

deltan-dallagnol-am-18-kxke-u20705735866x7c-1024x576gp-web

Fora de Brasília, a realidade bate à porta. Servidores param. A Secretaria de Estado e Fazenda de Minas Gerais fez paralisação de 24 horas, nessa quarta-feria (30). Em Setembro, Outubro e Novembro, muitos outros órgãos pararam, como o DETRAN-DF, TJ-RJ, além de servidores de Ribeirão Preto, UFSC, e muitos outros. Quando não há protestos pelo pagamento de salários atrasados, há protestos pela atualização do salário. No ápice das tensões, a ALERJ foi invadida por servidores estaduais.

Mas, então, no judiciário deve estar tudo em ordem, não é mesmo? Com certeza. Tirando a decisão da primeira turma do STF, que abriu precedentes para a descriminalização do aborto até os três primeiros meses de gestação, está tudo em ordem.

Barroso soltou mais uma de suas pérolas para justificar a insensatez criminosa:

“Em temas moralmente divisivos, o papel adequado do Estado não é tomar partido e impor uma visão, mas permitir que as mulheres façam a sua escolha de forma autônoma. O Estado precisa estar do lado de quem deseja ter o filho. O Estado precisa estar do lado de quem não deseja – geralmente, porque não pode – ter o filho. Em suma: por ter o dever de estar dos dois lados, o Estado não pode escolher um.”

Rosinei Coutinho/SCO/STF
Rosinei Coutinho/SCO/STF

Em meio a toda essa desordem, líderes da turma contra a PEC do teto de gastos resolveram  juntar 12 mil pessoas em frente ao congresso. O resultado?

201611291841281067-jpg-g22315h6h-1

 

6999417

temer-protesto-pec_do_teto-confronto_dida_sampaio_estadao_conteudo-2

Enquanto isso, universidades seguem ocupadas.

O Ministério da Justiça é muito útil e eficiente na desocupação de terras declaradas indígenas  – A Força Nacional fere até a autonomia de um estado, se necessário. Esse mesmo ministério não é tão eficiente quando o assunto é a desocupação de uma universidade federal.

O Brasil não tem dono. O Brasil é de quem pegar.

Mas não acabou, amigo leitor. Ainda não acabou.

 

 

Inline
Inline